Rota 66 em 2026: tudo o que precisas de saber sobre a estrada mais famosa do mundo no seu centenário

A Rota 66 foi criada a 11 de novembro de 1926. Cem anos depois continua a existir, a ser percorrida e a fascinar pessoas de todo o mundo. Em 2026, com o Mundial de Futebol a acontecer nos Estados Unidos e com os americanos mais no radar dos portugueses do que nunca, o centenário da Rota 66 acrescentou mais uma razão para quem sempre adiou esta viagem finalmente a fazer.
Não é uma viagem para toda a gente. Vou ser honesto sobre isso. Mas para quem tem curiosidade sobre os Estados Unidos além de Nova Iorque e Miami, a Rota 66 é uma experiência completamente diferente de qualquer coisa que possas fazer noutro país.
O que é a Rota 66, concretamente
A Rota 66 é uma estrada que liga Chicago, no Illinois, a Santa Monica, na Califórnia. São cerca de 3.940 quilómetros. Atravessa oito estados: Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia. A viagem completa demora tipicamente entre duas a três semanas de carro.
Foi a primeira estrada pavimentada a ligar o centro dos Estados Unidos à costa oeste. Nos anos 30 e 40, foi por ela que milhares de famílias americanas fugiram para a Califórnia durante a Grande Depressão. John Steinbeck chamou-lhe “A Mãe das Estradas” no livro As Vinhas da Ira. Nos anos 50 e 60 tornou-se símbolo da liberdade americana e da cultura road trip. Depois foi substituída pelas auto-estradas interestaduais e foi oficialmente desclassificada em 1985.
Mas nunca desapareceu. A maioria do traçado original ainda existe e pode ser percorrida. Há comunidades inteiras ao longo da estrada que sobrevivem quase exclusivamente do turismo dos viajantes que a percorrem. É um dos fenómenos turísticos mais resilientes dos Estados Unidos.
Porque 2026 é diferente
O centenário da Rota 66 não é apenas uma data. É um evento. Os estados ao longo do traçado estão a organizar celebrações, exposições, eventos e restauros de trocos históricos que estavam degradados. Algumas seções da estrada que tinham desaparecido estão a ser recuperadas especificamente para o centenário.
E o Mundial de Futebol trouxe os EUA para a conversa de toda a gente em Portugal. Muita gente que está a seguir os jogos nos EUA está a ver pela primeira vez imagens de cidades americanas como Dallas, Kansas City ou Los Angeles. Cidades que, não por acaso, ficam ao longo ou perto do traçado da Rota 66.
O traçado: os pontos que valem mesmo a pena
Não toda a gente tem duas ou três semanas para percorrer a Rota 66 inteira. A boa notícia é que não é preciso. Dá para escolher um troço e fazer uma parte.
O troço do Arizona é provavelmente o mais fotográfico. Passa pelo Grand Canyon (que não fica na Rota 66 mas está a menos de uma hora de desvio), pela Painted Desert, pelo Petrified Forest e chega até ao Meteor Crater. Seligman é uma das vilas mais conhecidas deste troço, com di nas, postos de gasolina vintage e cartazes dos anos 50 que parecem um cenário de filme. Porque, literalmente, serviu de inspiração ao filme Carros da Pixar.
O Novo México tem Albuquerque e Santa Fé, duas cidades com uma identidade visual muito própria, mistura de cultura nativa americana com influência espanhola. Santa Fé em particular é uma das cidades mais interessantes dos EUA e muito pouca gente de fora do país a conhece.
O Texas tem o Cadillac Ranch, que é uma instalação de arte no meio do nada onde dez Cadillacs foram enterrados com a frente para baixo. Parece absurdo. É exactamente isso. Fica perto de Amarillo e pode-se visitar gratuitamente a qualquer hora.
Chicago a St. Louis são o troço mais urbano. Chicago tem o Arco Gateway em St. Louis, que é o monumento mais alto dos EUA, e o Dixie Trucker's Home, que é um dos truck stops mais antigos da estrada.
Como planear a viagem
A forma mais comum de fazer a Rota 66 é alugar um carro em Chicago e deixar em Los Angeles, ou o contrário. Os preços de aluguer variam muito dependendo da empresa e da época, mas espera valores entre 40 e 80 euros por dia para um carro normal.
Maio, junho e setembro são os melhores meses. Julho e agosto são possíveis mas quentes a sério, especialmente no Arizona e no Novo México, onde as temperaturas facilmente passam os 40 graus. O inverno é difícil por causa da neve nos troços mais a norte.
O alojamento ao longo da rota vai desde motels vintage dos anos 50 que custam 50 a 80 euros por noite, até hotéis nas cidades maiores. Reserva com antecedência em 2026 porque o centenário vai trazer mais gente do que o habitual.
Voos de Portugal para os EUA
De Lisboa há voos directos para Chicago, Nova Iorque, Boston, Miami e Los Angeles. Para a Rota 66, as melhores entradas são Chicago (para fazer de leste para oeste) ou Los Angeles (para fazer no sentido contrário). A TAP e a United Airlines têm voos directos de Lisboa para Chicago. De outras companhias há sempre opções com escala.
Não precisas de visto para os EUA se ficares menos de 90 dias, mas precisas de registar no ESTA antes de embarcar. O ESTA custa 21 dólares, é feito online em esta.cbp.dhs.gov e demora normalmente menos de 24 horas a ser aprovado. Não uses sites de terceiros que cobram valores muito superiores.
Vale a pena?
Depende do que queres de uma viagem. Se queres praia e hotel tudo incluído, a Rota 66 não é para ti. Se queres conduzir por paisagens que não têm paralelo noutro lugar do mundo, parar em sítios que parecem parados no tempo, comer em diners com milkshakes e hambúrgueres que custam menos do que pensas, e perceber porque é que os americanos têm uma relação tão particular com a estrada aberta, sim. Vale.
E em 2026, com o centenário e o Mundial a acontecer ao mesmo tempo, é provavelmente o melhor ano da história recente para o fazer.
Se quiseres saber mais sobre como organizar uma viagem aos EUA, incluindo voo, aluguer de carro e alojamento, fala connosco.
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Artigo baseado em dados de junho de 2026. A informação pode estar sujeita a alterações.