Ilha da Boa Vista, Cabo Verde: o que fazer, onde ir e o que ninguém te conta antes de viajar

A Boa Vista tem uma reputação bem definida: é a ilha das praias. E é verdade, mas reduzir a ilha a isso é um erro. Quem vai à espera apenas de areia e piscina fica bem. Quem vai com curiosidade volta com histórias que ninguém estava à espera de ter.
Este artigo é para quem quer perceber o que a ilha tem mesmo para oferecer antes de lá chegar.
O que é a Boa Vista, afinal
A Boa Vista é a terceira maior ilha de Cabo Verde e a que fica mais a leste do arquipélago. É também a mais plana, o que lhe dá uma paisagem muito diferente das ilhas mais montanhosas como o Fogo ou Santiago. Aqui o que domina é o deserto, as dunas e uma linha de costa que parece não ter fim.
A capital chama-se Sal Rei. É pequena, tem umas ruas coloridas, mercado, restaurantes simples e uma marginal junto ao mar onde toda a gente passa a tarde. Não é uma cidade com muita coisa para fazer. É um sítio para andar sem destino e perceber como é o ritmo de vida cabo-verdiano. Isso já vale a visita.
As praias: as que toda a gente conhece e as que quase ninguém vai
A Praia de Santa Mónica tem mais de 11 quilómetros de comprimento. Onze. É uma das praias mais longas de África. Em certos dias podes estar ali sem ver mais ninguém no horizonte. Para quem vem de Portugal e está habituado a pagar para deitar a toalha numa praia com mil pessoas, é um choque bom.
A Praia de Chaves fica a norte da ilha e é a que fica mais próxima de muitos dos resorts. É mais frequentada, mas tem uma particularidade interessante: mesmo ao lado existe o Deserto de Chaves, uma extensão de dunas de areia que parece ter sido transplantada do Sara. Podes passar da praia para as dunas em menos de cinco minutos a pé.
A Praia de Água Doce fica no sul e é muito menos visitada. É o tipo de praia que é difícil de descrever sem soar a brochura turística, por isso não vou tentar. Só digo que vale as estradas de terra batida para lá chegar.
O naufrágio do Cabo Santa Maria
Este é provavelmente o ponto mais fotografado da Boa Vista. Em 1968, o navio Cabo Santa Maria encalhou numa praia no norte da ilha e ali ficou. Hoje é uma carcaça enorme de ferrugem à beira-mar, com ondas a partirão à volta e gaivótas por cima. É esquisito e bonito ao mesmo tempo.
A praia onde está chama-se Praia do Naufrágio e tém umas ondas fortes que não são ideais para banho, mas para fotografias é um dos melhores sítios da ilha. Vale a pena ir mesmo que seja só por isso.
As aldeias do interior
Poucos turistas saem dos resorts para ver o interior da ilha. É uma pena. Rabil é a segunda maior localidade da Boa Vista e tem uma das igrejas mais antigas de Cabo Verde, uma praça tranquila e um mercado onde se vão encontrar os habitantes locais a fazer a vida deles.
Fundo das Figueiras é uma aldeia pequena no norte que tem uma energia diferente. Casas simples, pessoas a conversar à sombra, crianças a brincar na rua. Não há nada para fazer ali em particular, mas é exatamente isso que a torna interessante. É Cabo Verde de verdade, sem a camada turística por cima.
Povoação Velha foi a primeira capital da ilha e hoje está quase abandonada, muito pouca população por lá. Tem uma igreja do século XVIII ainda de pé e uma atmósfera de lugar que ficou parado no tempo. Vale meia hora de desvio.
Os burros selvagens
Esta é a curiosidade que toda a gente acha que é invenção até chegar à Boa Vista. A ilha tem uma população de burros selvagens que vagueia livremente pela ilha toda: nas bermas das estradas, nas planuras áridas, junto das aldeias e, com alguma sorte, até nas praias. Já não são usados como animais de trabalho e vivem livres há décadas. São mansos e não fogem quando te aproximas. Para quem vai com crianças, é inevitável.
As tartarugas marinhas
Entre junho e outubro, as tartarugas-de-couro e as tartarugas-careta chegam às praias da Boa Vista para desovar. A ilha é um dos locais mais importantes de desova de tartarugas marinhas do Atlântico. Existe uma associação local, a Turtle Foundation, que organiza visitas nocturnas guiadas para ver as tartarugas a desovar sem as perturbar. Se fores em julho, agosto ou setembro, consegues fazer isto. Reserva com antecedência porque as vagas são limitadas.
O que fazer além de praia
Kitesurf e windsurf são as actividades mais populares. O vento na Boa Vista é constante e as condições são boas quase todo o ano. Há escolas para iniciantes e instrutores com experiência. Não precisas de saber nada para experimentar.
Passeios de barco até às ilhotas próximas, snorkeling nas pedras da costa e excursões de quad pelas dunas são outras opções que toda a gente menciona e que funcionam bem com crianças.
Se quiseres algo mais calmo, aluga um carro ou uma moto e dá uma volta pela ilha. A estrada circular não demora mais de duas horas e permite ver praias, aldeias e paisagem que não consegues ver a pé.
Quando ir
A Boa Vista tem bom tempo durante quase todo o ano. Entre novembro e junho é a época seca, com sol garantido e pouco vento. É o melhor período para ir se queres só praia e piscina sem preocupações.
Entre julho e outubro é a época das chuvas, mas em Cabo Verde isso significa aguaceiros ocasionais e não dias de chuva contínua. O mar fica um pouco mais movimentado e o vento mais forte, o que é mau para banhistas mas bom para kitesurf. E é também a época das tartarugas, o que para muita gente é razão suficiente para ir.
Maio é provavelmente o melhor mês para equilibrar clima, preços e multidões.
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Artigo baseado em dados de junho de 2026. A informação pode estar sujeita a alterações.